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Artista « Lilison » em Bissau para « apoiar » desenvolvimento da cultura guineense


  14 Décembre      142        Arts & Cultures (2594), Musique (497), Photos (21287),

   

 

Bissau, 14 Dez 15 (ANG) – O músico e pintor guineense, Januário Sousa Cordeiro conhecido no mundo da arte por (Lilison), está no país para, nomeadamente realizar exposições, encontros de trocas de experiências, de divulgação de projectos individuais e « possíveis » trabalhos conjuntos de pintura.
Em entrevista exclusiva hoje à ANG, este « homem da arte » que vive há trinta anos no Canada acrescentou que vai ver junto das autoridades guineenses a forma de apoiar a materialização destes e outros projectos culturais, a imagem daquilo que acontece noutros países.

« Vim à Guiné, para transmitir a experiência artística que adquiri ao longo de anos no estrangeiro, mas também, para aprender com outros colegas « , explicou, Sousa Cordeiro que é também Pintor e Escultor.

Em relação ao seu estudo nomeadamente da música e tintas tradicionais guineenses, disse que as suas pesquisas « nunca vai parar » nomeadamente, com o objectivo de deixar o testemunho à geração vindoura.

« Hoje, por exemplo, se eu quiser produzir a tinta, procuro o « Faráh », árvore típica guineense, para conseguir uma cor particularmente nossa, ou lama de mar, ou um ferro velho para produzir uma outra côr diferente, para a pintura.

E, ainda consigo reciclar as folhas de papel abandonadas para dar outra vida a minha pintura, em termos de côr.

Nas suas palavras, por exemplo, para além das tradicionais águas de calabaceira e farinha trigo, hoje em dia, disse descobrir que ovo, casca de batatas ou até o próprio arroz (produto base de alimentação nacional) podem constituir colas para as conhecidas máscaras carnavalescas da Guiné.

E estas colas, segundo ele, são naturais e não contêm produtos tóxicos como as de madeira, por exemplo.

« E isto, pode ser a minha contribuição no processo de desenvolvimento da cultura na Guiné-Bissau », rematou.

Neste domínio da pintura, disse que foi bem sucedido no Canada, onde por exemplo vendeu quadros até ao valor de sete mil dólares. E, conforme ele, revela a qualidade do seu trabalho neste subsector da cultura.

« Hoje há pessoas como Jean Michel Basquia, pintor de origem Haitiana, que ganham milhões com a venda dos seus quadros », afirmou para ilustrar o valor económico desta profissão que é pouco rentável na Guiné-Bissau.

Abordado sobre o prémios ganhos no estrangeiro, « Lili Som » afirmou que foi distinguida por cinco vezes no domínio musical e da arte plástica nomeadamente como o melhor « Blues-Gospel Jubilation V, na categoria da Música, pela Academia Canadiana de Artes e Ciências em 1995, e com o disco do ano na região de Quebec, com o troféu « Felix décene » pela Associação Quebequense de Indústria e de Disco em 1999 e 2000, com o álbum « Bambatulu ».

Ainda informou que durante 30 anos nas terras canadianas criou três bandas, a primeira ligada a tradição guineense e depois, as duas com instrumentos modernos que, lhe levaram a percorrer « quase todo a Canada », tendo participado em concertos no âmbito da francofonia e de Jazz e até ao norte dos Estados Unidos de América.

« Sou um artista como outros que vive em Canada, mas com particularidades próprias que me distinguem na música e na pintura nesse país » salientou.

Lilison disse que viver no Canada como músico é difícil, porque requer um « esforço extraordinário », dada a concorrência de muitos artistas que aí radicam e que residem na zona norte dos Estados Unidos de América, país vizinho.

Falando da história da sua vida no estrangeiro, « Lilison » não escondeu as dificuldades que conheceu, e que o levaram a realizar tarefas nomeadamente de « lavar pratos, antes de chegar as galerias ». Mas, consciente de ser « um embaixador da Guiné » no mundo fora, nunca se deixou levar pela delinquência.

« Lilison », Januário Sousa Cordeiro nasceu em Bolama (sul) há 28 de Fevereiro de 1959. Actualmente, é também titular de cidadania canadiana, cujo país o abrigou durante mais de metade da sua vida. Foi percussionista da já extinta orquestra nacional Nkassa Cobra.

ANG

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