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Boa Vista/VBG: Psicóloga considera casa de passagem “resposta importante” para vítimas de elevado risco


  28 Octobre      7        Société (25250),

   

Sal Rei, 28 Out (Inforpress) – A psicóloga do Centro de Apoio a Vitima de Violência Baseada no Género considera a casa de passagem, na Boa Vista, uma “resposta importante” para que as vítimas de elevado risco sejam colocadas fora de perigo.

Adriana Correia falava terça-feira a comunicação social a propósito da acção de sensibilização promovida pelo Instituto Cabo-verdiano da Igualdade e Equidade do Género (ICIEG), para trabalhar as mulheres, estudantes secundários e a Polícia Nacional em igualdade de género e Violência Baseada no Género (VBG), na ilha da Boa Vista.

A mesma fonte informou que este apoio é feito em conjunto com o Centro Paroquial, nomeadamente através do padre Adriano Cabral.

Conforme explicou Adriana Correia, a casa de passagem serve de apoio e abrigo para acolher mulheres que foram retiradas de casa, ou que estejam em situação de urgência e perigo, e que não tenham familiares para os ajudar, ou sitio protegido para permanecerem.

“A casa de passagem é uma resposta importantíssima, porque muitas vezes há uma situação de risco elevado, e que a vítima tem que ser posta fora do perigo, tanto pelo centro de apoio a vítima, como pela polícia no momento em que recebe uma denúncia”, disse, considerando ser esta uma medida existente para apoio às vítimas de VBG, quando analisado o nível de risco.

Sobre os números de casos de VBG na ilha, Adriana Correia avançou que ainda se está a averiguar os termos estatísticos, e que para isso terão encontros na quinta-feira, 29, com os comandantes da Esquadra da Boa Vista para falar desses dados e articular a resposta da ICIEG, no sentido de se fazer uma actuação “mais conjunta” com a Policia Nacional (PN).

“Há muitas pessoas que sofrem violência e não fazem a denúncia, e, portanto, as denúncias que são feitas não são um espelho da realidade daquilo que são os casos pessoais e muitas vezes escondidos, não são falados”, revelou a mesma fonte.

No entender da psicóloga, “é importante” fazer um trabalho de sensibilização para que as pessoas tenham “coragem de falar e de pedir ajuda”, e nas comunidades em geral, para que estes saibam que podem ter voz quando se trata de casos de VBG de um vizinho, uma amiga, ou um familiar, sugerindo, “nem que seja uma denúncia anónima”.

Neste caso, indicou, o Gabinete de Apoio a Vitima, que funciona na Câmara Municipal da Boa Vista, é o sítio onde as pessoas podem recorrer para pedir ajuda, ou para alguma orientação, quando conhecem alguém a sofrer violência e não sabem como ajudar.

Além desta acção de sensibilização, o ICIEG tem em agenda para a ilha da Boa Vista, segundo Adriana Correia, trabalhar a questão das vítimas da VBG e também as vítimas de violência no namoro com as turmas do 12° ano da Escola Secundária.

Ainda segundo informou, na quinta-feira, 29, haverá uma sessão com a PN para “articular em conjunto” o processo de denúncia e de acompanhamento às vítimas, nomeadamente a recepção e o encaminhamento no centro de apoio a vitima para, apontou, “dar um acompanhamento mais prolongado, eficaz e profundo no processo”.

“Não é só fazer uma denúncia e até a pessoa chegar a este ponto é um processo muito difícil, é preciso ter um acompanhamento depois disso, nomeadamente nas respostas que são necessárias”, concluiu, destacando a possibilidade de se fazer uma denúncia apenas através de uma mensagem para o número 110.

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