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Covid-19/Fogo: Pandemia impede cumprimento de secular tradição cultural da ilha


  4 Janvier      14        Santé (8631),

   

São Filipe, 04 Jan (Inforpress) – O reinado, uma tradição secular e genuinamente foguense, que percorre a ilha cantando terços, entre 06 de Janeiro e o dia das Cinzas, não será assinalado este ano, pela primeira vez, devido à pandemia da covid-19.
Nos últimos anos, duas confrariass de reinado lutaram para manter viva esta tradição e, este ano, pelo menos uma confraria estava disponível para percorrer a ilha devido a idade avançado do reinado mais antigo da ilha, Filipe Fernandes, conhecido como Nhô Tchina, que não se mostrou disponível para cumprir a tradição, já que conta 95 anos.
Devido à pandemia, o reinado José António Freire de Andrade, conhecido como Alfredim de Monte Grande, que nos últimos 23 anos tem seguido “religiosamente” a tradição, foi aconselhado pelo pároco da Nossa Senhora da Conceição (São Filipe), donde habitualmente partem as confrarias, a ficar em casa este ano dada a situação.
O aconselhamento foi feito pelo pároco de Nossa Senhora da Conceição numa missa celebrada no último sábado, tendo exortado os reinados para permanecerem em casa este ano.
Alfredim, que leva a imagem da Nossa Senhora da Graça às residências de pessoas devotas desta santa, aceitou o conselho do pároco, que segundo o mesmo é bom para ele e para todos aqueles que esperam pela imagem da Nossa Senhora da Graça para tradicional terço.
Assim, aproveitou para informar a todas as pessoas devotas, que esperam Nossa Senhora da Graça para que entendam que este ano não será possível fazer a caminhada devido à pandemia e que o seu companheiro também não fará a caminhada, devido a idade avançada de Nhô Tchina.
Esta decisão visa contribuir para prevenir a infecção pela covid-19 dos reinados e para as pessoas que festejam e recebem os reinados nas respectivas casas para o terço que, em muitas localidades, sobretudo nos Mosteiros onde o número de pessoas devotas é mais elevado, costuma mobilizar muitas pessoas.
Este será, assim, o primeiro ano em que há memória de o reinado não se fazer à estrada, esperando que a situação da pandemia da covid-19 esteja normalizada para que, em 2022, a tradição seja retomada.
Para este ano o reinado Alfredim apela às pessoas, que todos os anos recebem os reinados, para celebrarem o dia com oração nas suas respectivas casas para que no próximo ano o reinado possa regressar e percorrer a ilha em situações de normalidade.
O reinado é uma tradição cultural secular, típica e exclusiva da ilha do Fogo, em que grupos de homens, devotos católicos, participam em ciclos de reza no período que medeia entre 06 de Janeiro e o dia de Cinzas, com deslocação, de casa em casa, em todas as localidades da ilha, de pessoas que professam a fé católica.
Em tempos não muito longínquo, o reinado conhecera outro brilho e houve altura em que chegou a sair da Igreja Matriz de São Filipe 24 confrarias ou grupos de “reinados”, constituídos, no mínimo, por três homens, segundo registos históricos.
A sua origem é um pouco duvidosa, e, para alguns, poderá estar relacionada à celebração da festa dos reis em Portugal, mas nenhum dos reinados vivos sabem explicar, com precisão, a origem e a data da sua introdução na ilha, apesar de a tradição ter estado ligada ao peditório para a construção da antiga Igreja Matriz de São Filipe, o que pode ter acontecido há algumas centenas de anos.
Até a década de 70 do século passado, os reinados eram constituídos por grupos de homens, três ou mais, católicos e praticantes, que andavam por toda a ilha, durante três luas, a realizar terços e pedindo ajuda a favor da Igreja.
Contudo, houve épocas em que cada confraria de reinado era constituída por sete homens, sendo que cada grupo integrava “rei” que dirige e controla tudo, um “rei” interino, um tesoureiro e participantes.
Acreditam que o objectivo maior do reinado era a evangelização, e todos os integrantes do grupo teriam de ser católicos, baptizados/crismados, casados e escolhidos pelo padre.
A tradição mandava que os “reis” reunissem-se no dia 06 de Janeiro, na Igreja Matriz, onde assistiam a missa, seguido de uma volta à igreja, para depois cada de reinado seguir o seu próprio itinerário, dando volta à ilha, dirigindo-se primeiro em direcção a Cova Figueira (sul) e depois retornavam para zona norte até chegar aos Mosteiros, uma vez que devido a uma lenda os mesmos não ultrapassam a ponte da ribeira de Baleia, que divide os municípios de Santa Catarina e Mosteiros.
Cada um tem uma santa como patroa, sendo que antigamente a imagem era cedida pela Igreja, para onde voltava, findo o reinado, mas hoje as santas são guardadas em casa dos reinados.
O terço ou “ladainha”, na maioria das vezes, continua a ser rezado em latim, ainda nos dias de hoje.
Além da imagem da santa, o reinado dispõe de outros instrumentos, nomeadamente um pequeno tambor para anunciar a sua chegada às localidades, um sino e o rosário, utilizados durante a realização do terço.

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