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Fogo: Invisual da escola secundária Pedro Pires supera as limitações físicas e entra para o quadro de honra


  3 Février      8        Education (4402),

   

São Filipe, 03 Fev (Inforpress) – José Henrique Andrade Gomes, 17 anos, invisual desde os seis anos, entra para a história da escola secundária Pedro Pires (Ponta Verde), ao ser o primeiro aluno com necessidades educativas especiais a entrar para o quadro de honra.
Originário da zona alta de Monte Vaca, José Henrique é um dos três filhos de uma família humilde da zona rural, mas apenas ele tem problemas de visão, que perdeu aos seis anos, na sequência de uma intervenção cirúrgica ocorrida em Portugal para retirada de um tumor.
A sua residência fica um pouco distante da estrada principal que passa pela zona alta do noroeste de São Filipe e para se deslocar à escola é obrigado a percorrer uma distância significativa, numa estrada de terra batida e acessível apenas às viaturas todo-o-terreno, antes de chegar à estrada principal para apanhar o transporte escolar que o leve à escola secundária Pedro Pires, em Ponta Verde.
Além desta dificuldade José Henrique, que dispõe do sistema braille, enfrenta outros problemas, já que os manuais escolares não estão disponíveis neste sistema e para garantir os apontamentos tem de fazer um esforço mental para “decorar” tudo o que os professores ditam nas salas de aulas, para, em casa, elaborar os seus próprios apontamentos no sistema braile.
Antes, explicou a mãe de José Henrique, ele tinha um gravador para gravação das aulas, o que facilitava, mas o mesmo quase não funciona, criando maiores limitações.
Em declarações à Inforpress no dia em que a escola promoveu uma sessão especial para a entrega do diploma de reconhecimento dos alunos do quadro honra e de mérito, José Henrique, aluno do 9º ano e com média final de 17 valores no primeiro trimestre confessou que “não é difícil para o invisual estudar” apesar da inexistência de manuais escolares adaptados ao sistema braille.
Este mostrou-se tranquilo com o feito e prometeu continuar a estudar com a mesma determinação, salientando que os professores da escola Pedro Pires “são compreensivos e atenciosos e estão sempre disponíveis” para o apoiar.
Antes de ingressar neste ano lectivo na escola secundária de Pedro Pires frequentou o polo de Curral Grande onde estudou o 7º e o 8º anos.
O seu dia-a-dia é repartido entre a casa e a escola e a família está habituada a conviver com a sua deficiência visual e tem-se dedicado, dentro das possibilidades de uma família rural e humilde, em apoiar naquilo que for possível, assegurou a mãe do José Henrique.
Já a responsável pela área social da referida escola, Emily Gomes disse que José Henrique é um aluno especial porque foi o primeiro com necessidades educativas especiais a atingir o quadro de honra nessa escola o que deixou os professores e a própria direcção orgulhosos.
“Temos um outro aluno com necessidades educativas especiais neste ano lectivo, um surdo-mudo e uma aluna com deficiência visual, mas depois da operação está a recuperar”, disse Emily Gomes, lembrando que antes a escola tinha outros alunos com necessidades educativas especiais, nomeadamente surdos-mudos que já concluíram o 12º ano de escolaridade.
Segundo a mesma, os professores que trabalham com os alunos com necessidades especiais tiveram formação neste sentido, estão motivados e contam com apoio da sala de recursos de São Filipe.
A direcção da escola espera que o exemplo de José Henrique possa servir de incentivo e motivação para outros alunos com necessidades educativas especiais e não só possam empenhar mais nos seus estudos.
O director da escola José Fidélio de Andrade disse que a entrega simbólica de diploma é um reconhecimento para demonstrar o desempenho durante o primeiro trimestre, tendo apelado aos alunos no sentido de continuarem com a mesma dedicação e esforços para a manutenção no quadro de honra e de excelência até o final do ano e desafiou aos demais alunos a seguir o exemplo dos que tiveram um bom desempenho, em especial de José Henrique.
“A nossa escola sempre primou pela inclusão social, já trabalhamos com alguns alunos com necessidades educativas especiais, que se sentiram totalmente integrado, mas é a primeira vez que um aluno com necessidades educativas especiais chega ao quadro de honra”, disse o director, sublinhando que apesar das limitações e dos obstáculos, José Henrique conseguiu ultrapassá-los e chegar ao quadro de honra.
A direcção e todos os professores vão dar tudo por tudo para que ele continue no quadro de honra nos demais períodos escolares, comprometeu-se.
A nível do município de São Filipe, no ensino básico obrigatório (EBO) e secundário estão inscritos 51 alunos com necessidades educativas especiais que são acompanhados pela equipa da sala de recursos.
Um ex-aluno desta escola, hoje emigrado nos Estados Unidos da América, solicitou algumas informações visando a promoção de uma campanha para mobilizar recursos e materiais para apoiar José Henrique tendo em conta a sua condição socio-económica.
A nível das ilhas e da diáspora as pessoas interessadas em apoiar este invisual, que faz parte da lista dos alunos que se destacaram no primeiro trimestre escolar, podem fazê-lo através da direcção da escola secundária Pedro Pires.
O quadro de mérito foi ocupado pela aluna do 9º ano Denilza Patrícia Pires Teixeira, cuja média do primeiro trimestre escolar foi de 19.44 valores.

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