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Governo admite que há “posições divergentes” no processo negocial com a CV Airlines


  11 Août      18        Politique (11326),

   

Cidade da Praia – O vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, admitiu hoje que há “posições divergentes” no processo negocial entre o Governo e a CV Airlines sobre o financiamento futuro e liquidação de dívidas passadas.
Esta posição foi tornada pública à imprensa, à margem da cerimónia de abertura do ateliê temático sobre “Estratégia do Emprego no Horizonte 2030”, promovido pela Direcção Nacional do Planeamento, no âmbito do Exercício Cabo Verde Ambição 2030.
“Estamos num processo negocial (…), as posições das partes começam por ser divergentes, há interesses que podem não ser consensuais e nós estamos a trabalhar num quadro, para que possamos alinhar as vontades das partes”, admitiu.
Olavo Correia adiantou que em função dos efeitos da pandemia da covid-19 sobre companhias aéreas de todo o mundo, vão ser necessários investimentos “bem montados e estruturados” para defender o interesse público.
Acrescentou que o objectivo passa também por colocar a Cabo Verde Airlines (CVA) ao serviço da economia nacional, da recuperação da actividade económica, da ligação de Cabo Verde ao mundo, mas também para servir a diáspora.
“Estamos com espírito aberto, a negociar todos os dias, para que possamos chegar a um entendimento em relação aos pontos que ainda divergem, no sentido de chegar a um consenso definitivo”, disse o governante.
Olavo Correia informou que “no momento adequado” o Governo fará uma comunicação ao País para esclarecer todo o processo de negociação.
No dia 08 de Agosto, o CEO da CV Airlines, Erlendur Svavarsson, em carta dirigida aos trabalhadores, reconheceu que, apesar de “numerosas conversações e boas intenções”, ainda “não há acordo” entre os principais accionistas sobre o financiamento futuro e liquidação de dívidas passadas.
“A nossa mais profunda esperança é que todas as partes cheguem a acordo nas próximas semanas”, escreveu CEO da CV Airlines, em carta a que a Inforpress teve acesso e que foi endereçada aos trabalhadores no dia 08 de Agosto.
Na missiva, apela aos seus colaboradores a continuarem a estar “preparados” porque “muitos mercados-chaves, como Brasil, os EUA e os países europeus, à parte de Portugal”, possam ainda estar fechados por muito tempo.
Em finais de Julho, a secretária-geral da União Nacional dos Trabalhadores Cabo-verdianos – Central Sindical (UNTC-CS), Joaquina Almeida, denunciou que os funcionários da Cabo Verde Airlines ainda não tinham recebido o salário de Junho.
A sindicalista adiantou, também, que há um clima de medo e desespero no seio dos trabalhadores que estão na ilha do Sal com arrendamentos elevados e sem rendimentos para sustentar a família e honrar os seus compromissos.
Em Março de 2019, o Estado de Cabo Verde vendeu 51 por cento (%) da então empresa pública TACV (Transportes Aéreos de Cabo Verde) por 1,3 milhões de euros à Lofleidir Cabo Verde, empresa detida em 70% pela Loftleidir Icelandic EHF (grupo Icelandair, que ficou com 36% da CVA) e em 30% por empresários islandeses com experiência no sector da aviação (que assumiram os restantes 15% da quota de 51% privatizada).
O Governo cabo-verdiano concluiu este ano a venda de 10% das acções da CVA a trabalhadores e emigrantes, mas os 39% restantes, que deveriam ser alienados em bolsa, a investidores privados, vão para já ficar no domínio do Estado, decisão anunciada pelo executivo devido aos efeitos da pandemia.
A companhia está parada há mais de quatro meses devido à pandemia de covid-19, com a suspensão de todos os voos internacionais para o arquipélago.

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