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Nigéria/Confrontos violentos em Lagos e morte de várias pessoas por forças de segurança


  22 Octobre      18        Société (25576),

   

Bissau, 22 Out 20 (ANG) – As Nações Unidas e a União Europeia condenaram hoje a brutalidade policial na Nigéria e exigiram a responsabilização dos autores da repressão de terça-feira, que causou vários feridos e mortos em Lagos. Reacções violentas esporádicas prosseguiram na quarta-feira em Lagos, através do incêndio de prédios e de confrontos esporádicos entre manifestantes e forças policiais.

Testemunhas afirmaram que homens armados dispararam na terça-feira à noite contra uma multidão de cerca de mil pessoas em Lagos, para obrigá-la a dispersar, depois do recolher obrigatório decretado para pôr fim a vaga de protestos contra a brutalidade policial, assim como os profundos males sociais que afectam a população.

O tiroteio ocorrido na capital económica nigeriana desencadeou uma condenação por parte da comunidade internacional, enquanto o Presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, lançou um apelo à calma, sem fazer uma alusão directa aos incidentes de terça-feira.

O governador do Estado de Lagos, Babajide Sanwo-Olu, tinha inicialmente rejeitado a existência de vítimas fatais, mas depois anunciou que as autoridades estavam a investigar sobre a morte de uma pessoa, provocada, segundo ele, por um traumatismo craniano.

Sanwo-Olu, acrescentou que 25 pessoas tinham sido feridas e que um inquérito será efectuado sobre a actuação dos militares e da polícia , no decurso dos violentos confrontos.

O exército nigeriano que recusou o pedido da agência France Presse para comentar os confrontos de terça-feira, desmentiu o envolvimento de militares no tiroteio, que marcou os incidentes.

Na quarta-feira, o centro de Lagos, cidade de 20 milhões de habitantes, estava deserto e as lojas fechadas, como consequência do recolher obrigatório.

Segundo jornalistas da AFP, no centro de Lagos alguns prédios estavam em chamas e militares patrulhavam as ruas.

De acordo também com Babajide Sanwo-Olu, os confrontos em Lagos, representam a noite mais difícil vivida pelo seu Estado, se considerarmos, na sua opinião, que as forças de segurança sob o seu controlo escreveram com notas sombrias uma página da sua história ».

Segundo a organização não-governamental, Amnistia Internacional, pelos menos doze pessoas foram mortas pelos militares e as forças policiais, que dispararam na noite de terça-feira contra os manifestantes em Lagos.

Na origem dos protestos contra a brutalidade policial em Lagos, está a brigada FSARS ( Federal Special Anti-Robbery Squad) fundado em 1992 por Simeon Danladi Midenda, para lutar contra os roubos e a criminalidade associada aos mesmos.

De acordo com os seus detratores o esquadrão conhecido em Lagos pelo vulgo, SARS, à medida que os anos passavam tornou-se uma força de opressão dos habitantes do Estado, devido à sua brutalidade e métodos de extorsão.

O FSARS foi dissolvido em 2017 pelas autoridades nigerianas, mas segundo os manifestantes de Lagos, a brutalidade e a agressividade policiais idênticas às praticadas pelo esquadrão permaneceram.

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