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Paludismo: Outras epidemias no meio da covid-19 poderão pôr em causa a capacidade de respostas do País – Artur Correia


  16 Septembre      4        Santé (7414),

   

Cidade da Praia, 16 Set (Inforpress) – O director nacional da Saúde admitiu hoje que no meio desta pandemia da covid-19 se viessem a registar outras epidemias seria “algo anormal” e poderia pôr em causa a capacidade de resposta do País.
Artur Correia fez esta consideração ao ser abordado pela Inforpress sobre a queda das últimas chuvas que causaram alguns problemas na cidade da Praia, aumentando assim as fontes de reprodução dos mosquitos.
Essas precipitações, sublinhou, trouxeram uma preocupação acrescida, mas os agentes de luta antivectorial estão no terreno a dar continuidade à campanha nacional de pulverização intradomiciliar, assim como à da aeroespacial de prevenção ao paludismo autóctone e outras arboviroses.
“Temos essa preocupação todos os anos quando chove, e quando chove mais é pior ainda porque nós temos a responsabilidade de prevenir não só o paludismo, mas todas as outras doenças causadas por mosquitos vectores. Temos a dengue que já tivemos uma epidemia em 2019, que afectou milhares de pessoas, temos a zica que é uma outra arbovirose que é muito grave, que também já tivemos uma epidemia”, afirmou.
Conforme referiu, Cabo Verde apesar de não ter registado nenhuma epidemia de chikungunya e febre amarela ainda é receptível a essas doenças, por isso o Ministério da Saúde tem essa responsabilidade de estar em alerta para fazer esse controlo das doenças vectoriais.
Para prevenir o aparecimento do paludismo, lembrou que todos os anos é realizada duas campanhas de pulverização intradomiciliar com insecticida para matar os mosquitos adultos, a primeira antes das chuvas (Maio e Agosto) e a segunda após o período das chuvas (Setembro a Novembro).
No dia 07 de Setembro deu-se início à primeira fase da campanha de luta antivectorial intradomiciliar e até este momento, informou, as zonas mais problemáticas já foram pulverizadas, como é o caso do bairro de Fonton.
Para além de equipas de agentes sanitários no terreno, o Ministério da Saúde conta também com o apoio de uma equipa de informação, educação e comunicação comunitária que tem sensibilizado a população no sentido de colaborarem com o serviço nacional de saúde.
“Temos tido uma boa resposta por parte da população, porque no meio desta pandemia se viéssemos a ter outras epidemias seria, portanto, de facto algo anormal e que poderia pôr em causa a nossa capacidade de respostas”, admitiu.
Neste sentido, acentuou, estão a agir preventivamente e, para isso, contam com apoio de todos nessa tarefa de fazer com que Cabo Verde passe mais um ano sem casos de paludismo.
Cabo Verde está há mais de dois anos sem nenhum caso de transmissão local de paludismo e no mês de Janeiro de 2021 o País completa três anos sem nenhum caso e estará apto a pedir a certificação da eliminação da doença junto da Organização Mundial da Saúde.
Apesar de o arquipélago não ter registado casos autóctone este ano, o Ministério da Saúde registou oito casos importados, vindo de países vizinhos.
Neste caso, Artur Correia apontou que o desafio passa por manter a vigilância epidemiológica nesses casos importados e detectar precocemente eventuais ocorrências para evitar que haja transmissão local a partir dos casos importados.
“O nosso desafio é manter a densidade de mosquitos ao nível baixo para evitar que haja transmissão local a partir de casos que são importados”, finalizou.

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