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Política/Presidente da República afasta possibilidade de dissolução do parlamento após diálogo


  24 Décembre      25        Politique (14275),

   

Bissau,24 Dez 20(ANG) – O Presidente Umaro Sissoco Embaló, afastou quarta-feira a possibilidade de dissolver a Assembleia Nacional Popular, após um encontro com os líderes das bancadas parlamentares.

« Isso já não vai acontecer, porque com o diálogo entendemos outra coisa. O Presidente da República tem de ser o moderador. Estou aqui como Presidente da República, de todos os guineenses », disse Umaro Sissoco Embaló, quando questionado pelos jornalistas, no final do encontro.

O chefe de Estado disse também que durante o encontro todos foram unânimes de que o « interesse supremo » de todos os guineenses é o desenvolvimento do país.

« Enquanto Presidente da República, foi um dos melhores dias de exercício das minhas funções », disse, sublinhando que todos têm o direito de dar a sua opinião, mas na base do respeito, e que o lema de 2021 é todos os guineenses juntos.

Na semana passada, o chefe de Estado discutiu numa reunião  com cinco dos seis partidos com assento parlamentar  a possibilidade de dissolução do parlamento, tendo convocado igualmente o Conselho de Estado.

Tanto os partidos políticos como o Conselho de Estado consideraram não existir qualquer crise política que justificasse a dissolução da Assembleia Nacional Popular e a convocação de eleições antecipadas, apesar de a decisão caber apenas a Umaro Sissoco Embaló.

O líder da bancada parlamentar do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Califa Seidi, manifestou satisfação com o encontro.

« Por um lado serviu para um diálogo que é bom sempre ter, mas, por outro lado, vimos o Presidente a exercer a sua magistratura de influência para haver estabilidade, tranquilidade, sobretudo, no parlamento, onde às vezes com o fervor do debate há algum excesso », disse.

Califa Seidi disse que pediu também a Umaro Sissoco Embaló para continuar com esta magistratura de influência em relação a outros assuntos que possam estar a afligir o povo da Guiné-Bissau.

A bancada parlamentar do Partido de Renovação Social, através do seu líder, Nicolau dos Santos também felicitou a iniciativa do Presidente e disse que os deputados têm obrigação de dar outra imagem da Guiné-Bissau.

Disse que o Presidente pediu para que a Assembleia Nacional Popular seja um « parlamento modelo ».

O líder da bancada parlamentar do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), Abdu Mané, disse que a iniciativa do Presidente da República mostra que é « aglutinador », que « respeita a Constituição e a legalidade democrática ».

« Nós coexistimos nas nossas diferenças, mas devemos ter respeito mútuo », salientou, acrescentando que o encontro foi positivo para reforçar a confiança entre partidos políticos.

O líder da bancada da Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), Marciano Indi, disse que a liberdade de expressão está consagrada na Constituição, mas não deve ultrapassar os limites.

« Nós devemos instruir os nossos deputados para que a nossa linguagem ajude o país a desenvolver-se », salientou.

Marciano Indi sublinhou também que o papel do Presidente é apaziguar ânimos, juntar as pessoas, independentemente dos partidos, para que falem e se entendam e pensem no futuro do país.

O deputado da APU-PDGB pediu também para resolver o assunto do antigo primeiro-ministro Aristides Gomes – refugiado há meses na sede das Nações Unidas em Bissau -, lembrando que a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) é que lhe pediu para assumir o cargo, e de Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, em relação a quem o procurador-geral da República emitiu um mandado de captura internacional, na semana passada.

« O diálogo salva a Guiné-Bissau e pedimos para continuar o que começou hoje », salientou.

O deputado Agnelo Regala, da União para Mudança, disse que o encontro permitiu « de forma clara e frontal abordar determinadas questões ».

« O diálogo é que deve ser a base de todo o processo, que queremos desenvolver para a estabilidade, para apaziguar a sociedade para andarmos para a frente », salientou, pedindo que todos remem no mesmo sentido.

« Nós somos adversários, não inimigos, a campanha eleitoral acabou, e devemos concentrar as nossas atenções naquilo que é fundamental neste momento, que são os problemas de desenvolvimento e que afligem todos os guineenses », acrescentou.

O Partido da Nova Democracia, através do seu líder e deputado Iaia Djaló, destacou que o diálogo é o melhor para futuro do país.

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