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RAMAO destaca mulher na construção de sociedade sustentável e pede mais inclusão social e empoderamento


Cidade da Praia, 02 Mar 2017 (Inforpress) – A contribuição da mulher na construção de uma sociedade sustentável é indispensável para o desenvolvimento do país, mas para isso é preciso participação e ferramentas para uma maior inclusão social e empoderamento feminino.
A presidente da Associação das Mulheres da África Ocidental – Célula de Cabo Verde (RAMAO), Josefina Chantre Fortes, Fez essas considerações hoje em declarações à Inforpress, no âmbito das comemorações dia 08 de Março, Dia Internacional da Mulher e do 10º aniversario da RAMAO.
Para assinalar a data a associação realiza sexta-feira, 03, na Cidade da Praia, uma conferência intitulada “Lideranças Femininas em África” cujo objectivo, segundo explica Josefina Chantre Fortes, é reflectir sobre a participação feminina no desenvolvimento do país e analisar os obstáculos que têm impedido que este avanço esteja ainda aquém dos 50/50 pretendidos.
“Temos de atingir essa paridade para alcançar os objectivos sustentáveis, indispensáveis para uma sociedade desenvolvida. Para isso, temos de acabar com tantas mulheres analfabetas e dota-las de ferramentas para que possam ajudar no desenvolvimento do país”, disse.
Segundo a presidente da RAMAO, a importância do papel da mulher no desenvolvimento sustentável da sociedade já não é um tema apenas teórico ou uma discussão meramente intelectual. Ela é um facto objectivo e urgente, que une as mulheres de todo o mundo na consciencialização do seu papel fundamental para que esse desenvolvimento sustentável seja alcançado.
No caso de Cabo Verde, garante que apesar de a mulher ter conseguido muitos ganhos e legislações muito boas, ainda persistem muitos desafios a serem vencidos, particularmente no que respeita a ferramentas para o seu empoderamento.
“Neste momento estamos a trabalhar o desenvolvimento sustentável, mas penso que o diagnóstico está feito, as intenções são boas, as leis de protecção das mulheres são das mais avançadas, mas o que falta são as ferramentas para que cada movimento que trabalha em prol da mulher tenha um reforço de capacidade para pôr em acção os seus projectos”, enfatiza.
A mulher, de acordo com a responsável da RAMAO, tem contribuído activamente em todos os sectores de actividade produtiva, lado a lado com os homens, buscando uma igualdade baseada no respeito e reconhecimento do seu papel na sociedade, mas mesmo assim os seus direitos continuam a ser negados para a sustentabilidade da sociedade.
Conforme sublinha, cada vez mais devemos valorizar o papel da mulher como “consciência” activa da família com responsabilidades no mundo do trabalho, da política, como mães, chefes de família, daí a necessidade do seu empoderamento.
“Nós somos parceiras privilegiadas do Estado, mas sem fundos e com este problema não podemos fazer nada para ajudar a empoderar as mulheres, sobretudo, as do meio rural com as quais temos vindo a trabalhar”, realça, sublinhando que não basta ter leis bonitas se “não conseguimos empoderar essas mulheres para poderem conquistar a sua independência económica e social, e poderem ganhar a batalha de participar na paridade 50/50”.
Realçou ainda, que não se pode falar em pleno desenvolvimento se a própria população não está apta a seguir o desenvolvimento que se quer para o país ou para o continente africano, se na prática as associações são confrontadas com “mil e uma dificuldades para trabalhar com as mulheres do meio rural”.
Josefina Chantre Fortes reconhece que os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável e o Governo estão cheio de boas intensões, e admite também, que para que a participação da mulher seja efectiva há que se pensar no seu empoderamento com acções delineadas do poder local ao poder central.
Refere, por outro lado, que na sub-região onde a RAMAO está inserida existe um espaço constituído por 250 milhões de habitantes dos quais 52% são mulheres, 60% dessas são analfabetas e 53% a trabalhar no sector informal, sem formação e suporte preciso para dar o passo qualitativo que se quer na matéria.
Para assinalar o Março Mês de Mulher a RAMAO tem em agenda, ainda, no dia 08, a realização de um Sarau Cultural sob o signo “Uma Década de Afirmação, Uma Década de Voluntariado, Plaidoyer e de Facilitação em Prol da Mulher” a ter lugar no Hotel Oásis Praia Mar.
Para esse mesmo dia está previsto animação musical, recital de poemas em homenagem às mulheres, dança típica das Ilhas e da Guiné Bissau, desfile de moda e penteados a cargo da estilista senegalesa, Astou Dieng, e da cabo-verdiana, Isabel Cardoso.
Nos dias 11 e 17 estão previstos também a realização de uma feira de saúde e de educação no bairro de Achadinha e Tarrafal de Santiago, respectivamente.
PC/FP

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