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São Vicente: Época de desova de tartaruga com “explosão de mais de dois mil ninhos”


  2 Novembre      8        Environnement/Eaux/Forêts (2293),

   

Mindelo, 02 Out (Inforpress) – A época de desova de tartarugas, em São Vicente, teve, este ano, uma “explosão de ninhos” atingindo mais de dois mil destes, maioritariamente encontrados na Praia Grande, segundo informações avançadas pelo coordenador de terreno, Paulo Nobre.

A campanha de protecção de tartarugas, que termina agora no final de Outubro, foi “muito boa”, alcançando resultados “nunca antes visto”, conforme a mesma fonte adiantou à Inforpress.

Paulo Nobre disse contabilizar-se “mais de dois mil” ninhos, um número que ainda poderá ser bem maior, quando se finalizarem todos os relatórios dos últimos dias da campanha que deverá terminar hoje, oficialmente.

“Foi um ano de explosão de ninhos e acredito que também é fruto do trabalho que temos feito no terreno desde 2008”, considerou a mesma fonte, que fala do trabalho feito pela Associação de Voluntários Terra a Terra, Associação Ponta d´Pom, Biosfera e que são coordenados cientificamente pelo Instituto do Mar (Imar), ex-INDP.

Trata-se de um fenómeno registado agora em 2020, que dá “orgulho” do trabalho feito e da parceria entre essas instituições e, assegurou, faz crer que fizeram a parte deles.

A maioria dos ninhos foram detectados na Praia Grande, a norte de São Vicente, uma estância balnear que agora pretendem trabalhar para ser considerada reserva natural.

“Mais de mil ninhos foram encontrados em Praia Grande, por isso acredito que deva ser um lugar a ser preservado”, reiterou Paulo Nobre, falando também de “explosão” de ninhos em Sandy Beach que teve um número bem maior do que os outros anos.

Encontraram-se também ninhos em praias como Palha Carga, Calheta, Flamengo, João Évora e Calhau, esta última que registou, por outro lado, a maior parte das capturas num total de nove assinaladas.

Mesmo assim, o coordenador da campanha acredita haver um “saldo bem positivo” neste sentido e que deriva das acções de sensibilização tidas como o “ponto forte” da equipa.

“Com certeza é um ganho, porque antigamente registávamos mais capturas do que desovas”, sustentou a mesma fonte, regozijando-se das muitas eclosões observadas e que permitiram colocar “milhares e milhares de tartaruguinhas” no mar.

Além das outras praias, a equipa no terreno tem também um ninho na praia da Laginha, a mais urbana do Mindelo e mais frequentada por banhistas, que neste ano teve a primeira desova, mas cujos ovos foram arrastados pelas cheias das últimas chuvas.

“Assim decidimos transladar um ninho, com 66 ovos, de Praia Grande para Laginha, como forma de sensibilização, mas também para fazer estudos sobre a areia”, explicou Paulo Nobre, acrescentando que o ninho completa neste domingo, 01 de Novembro, 45 dias, o número de dias em que começa a eclosão dos ovos, que poderá acontecer entre 45 e 60 dias.

“Já estamos à espera para ver os resultados e se o processo foi bem-sucedido”, concretizou.

LN/HF

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