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São Vicente/PERFIL: “A arte de sapataria está a acabar” – sapateiro Pantchol 


  17 Décembre      35        Société (27399),

   

*** Por Letícia Neves, da Agência Inforpress ***
Mindelo, 17 Dez (Inforpress) – Entre linhas e agulhas, pontos e graxas, mas também sapatos, assim vive o sapateiro Pantchol, nessa profissão há cerca de 30 anos e se ressente por não ver jovens a interessarem-se pela sapataria.
No seu pequeno compartimento anexo ao jardim-de-infância Flores de Santo António, na zona de Chã de Alecrim, António Dias, mas conhecido por Pantchol, já é uma figura que faz falta aos olhos dos moradores da zona quando não vai trabalhar.
Isto porque já são tantos anos perdidos da conta, que este sapateiro conserta e confecciona sapatos e também agrega amigos, passando de geração em geração.
Pantchol, na verdade, como contou à Inforpress, é santantonense de origem, nascido em 1960, mas desde 1975 que escolheu São Vicente como sua moradia e, no caso de Chã de Alecrim, desde 1984, alguns anitos depois de abraçar a profissão que exerce até hoje.
“Aprendi a arte de sapataria com o Pirass, sr. Pedro, que tinha oficina na Rua da Luz, morada (centro da cidade do Mindelo), e foi o primeiro sapateiro que conheci. Mas, também aprendi muitas coisas com o Lela Leite, que tinha sapataria no Lombo”, lembra o então aprendiz, que disse ter começado aos 18 anos.
Com quatro anos de estrada, Pantchol decidiu dar um interregno na “arte dos sapatos” – que na altura “não rendia muito” – e enveredar-se pelo ramo da construção civil, por onde andou por cerca de dez anos.
Contudo, o seu destino estava traçado e com certeza seria a sapataria.
Embora, de memória não muito boa quanto a datas, lembre que decidiu ser sapateiro, definitivamente, logo depois e dar continuidade a sua “vocação”, que, como disse, está a ter muito mais procura nos últimos tempos.
“As pessoas compram muito nas lojas dos chineses, mas os produtos não têm tanta qualidade e acabam por querer reforçar os sapatos ou então ter de os consertar mesmo”, considerou a mesma fonte, que dá “graças a Deus” por ter trabalhos todos os dias e daí tirar o seu sustento.
Sendo assim, um trabalho, que, ajuntou, poderia perfeitamente permitir a um jovem ter o “pão de cada dia”, mas que neste momento não tem despertado o interesse dos mais jovens.
“A arte de sapataria está a acabar porque não há jovens para dar continuidade. Encontramos muitos jovens encostados às esquinas e sem nada para fazer, mas não se interessam por saber dar uns pontos em sapatos”, lamentou Pantchol, que se ressente por não ver nem os próprios filhos, que são oito no total, a quererem seguir os seus passos.
Garantiu que gostaria de deixar esta tradição cabo-verdiana, pelos menos na família, mas, como diz, “cada um escolhe aquilo que quer”.
Mesmo assim, este “velho sapateiro” afirmou estar ainda “totalmente disposto” a ensinar a quem quiser aprender a profissão, que prometeu seguir “até quando der”.
Isto porque, segundo o mesmo, é com muito “orgulho” que conserta, engraxa e ainda confecciona sapatos “bem mais duradouros” do que aqueles importados de fora e que a maioria das pessoas preferem usar.
”Compram os sapatos importados e não compram aqueles que fazemos, mas depois os do estrangeiro estragam-se rapidamente, enquanto que os nossos duram anos”, comparou Pantchol, lamentando, por outro lado, o facto de neste momento estar em escassez no mercado os materiais como cabedal, sola de borracha, botões rápidos e outros que normalmente utilizava para fazer os calçados antigamente, quando eram poucas as pessoas que tinham essa possibilidade de os comprar.
Tempos idos, que este sapateiro de Chã de Alecrim presenciou e que ainda “rijo” se vê nesta profissão por mais alguns anos e assim criar memória dessa sua “arte” nas próximas gerações.
LN/CP

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