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São Vicente/REPORTAGEM: Da ansiedade às novidades – os passos no desembaraço de pequenas encomendas


  22 Décembre      14        Société (27578),

   

Mindelo, 22 Dez (Inforpress) – Cláudia Varela encontra-se no pátio do Centro de Pequenas Encomendas da Enapor, em São Vicente, onde aguarda com ansiedade pela mãe que, lá dentro, tenta despachar um volume vindo da Holanda com produtos para a quadra festiva.

Cláudia, 43 anos, é uma das muitas pessoas cujas histórias se cruzam diariamente no Centro de Pequenas Encomendas (CPE), no Mindelo, e nesse dia 17 de Dezembro, a Inforpress encontrou a mulher sentada à beirada dos canteiros como uma das poucas sortudas a encontrar uma “sombra de ouro” fornecida pelas pequenas árvores do pátio.

A padeira é sempre quem acompanha a mãe, já de terceira idade, nos expedientes para retirar encomendas enviadas por familiares e, nesse dia, foram as duas buscar um caixote enviado pela sobrinha, da Holanda.

Uma semana antes, foram três tambores e ainda um televisor plasma que a irmã enviou da França com “tudo” para a quadra festiva e também para o aniversário da avó, que completa 94 anos nos próximos dias.

Destinos diferentes das encomendas, mas também tempo de espera diferente, já que nesta última ida demoraram cerca de três horas para ter tudo resolvido, mas antes, como Cláudia lembra perfeitamente, a mãe chegou nos serviços do CPE às 9:17 e só conseguiu ter as suas encomendas nas mãos às 17:13.

“Com certeza, o serviço melhorou muito nos últimos dias, mas ainda há muita falta de informação e de sensibilidade”, considerou a padeira, relatando como exemplo o episódio que presenciou de um idoso, com problemas de locomoção, que foi deixado pelo segurança de serviço à porta, na fila e ao sol.

Elisabete Santos também vê “melhoras significativas” na organização, a que conseguiu comprovar pelo tempo de espera para a sua senha ser atendida.

Como explicou à Inforpress, tinha tirado a senha A-23 na terça-feira, quando já atendiam o número D-52, e, na quinta-feira, ela e o marido receberam os dois bidões enviados por familiares de Portugal e estiveram sempre informados do tempo de espera através dos telefonemas feitos à linha grátis 800 10 40.

Mas, segundo a mesma fonte, uma realidade bem diferente da vivida uma semana antes, quando foram buscar encomendas dos Estados Unidos da América e tiveram de esperar quase uma semana para que os serviços atendessem os números de A-04 para B-67.

O jovem emigrante Dionildo Santos, que vive em Portugal há 12 anos, por seu lado, tem igualmente a mesma percepção, tendo em conta que chegou a São Vicente no dia 11 de Dezembro, recebeu uma senha no mesmo dia, viajou para o Paul (Santo Antão), onde é natural e tem casa construída, e depois regressou no dia 17 para tirar as suas encomendas.

“Estive sempre a ser informado pelos serviços sobre o tempo que faltava para ser atendido e então não tive a necessidade de vir perder tempo em São Vicente. Hoje estou aqui e daqui a pouco poderei tomar os meus pertences e viajar de novo para Santo Antão”, reiterou, criticando o facto de as pessoas reclamarem sem terem programado o envio das mercadorias a tempo de as conseguir retirar na altura do Natal.

Isto, porque, como disse, as pessoas “devem sempre contar que há imprevistos nas viagens dos barcos, como temporais ou avarias, e ainda também porque são muitas mercadorias que chegam a Cabo Verde por essa altura”.

Por isso, Dionildo diz que não questiona as regras impostas no CPE, mas que, no entanto, ficou “um pouco desagradado”, quando há cerca de três meses, enviou vários mobiliários para a sua casa, comprados em liquidação de 70 por cento (%) na loja Conforama, em Portugal, e em Cabo Verde teve de pagar 80% sobre esses preços.

“Tive de pagar quase 200 contos, mas se é regra, o que se há-de fazer”, lamentou o emigrante.

Muitas e muitas histórias, em que também entra a de Humberto Évora, que alegou ter tido os tambores violados quando fazia “favores” para enviar dois volumes à uma pessoa do Sal.

“Como é possível um lugar como este não ter câmaras de vigilância”, questionou.

A Inforpress também contactou a empresa gestora dos Portos – Enapor para ouvir a sua versão dos factos e o administrador delegado do Porto Grande, Eduardo Lima, fez questão de acompanhar a repórter numa visita guiada aos serviços do centro, explicando detalhadamente o funcionamento de cada departamento.

O responsável da infra-estrutura assumiu haver “fragilidades”, que se devem, primeiramente, ao facto de o CPE não possuir ainda um sistema de agendamento electrónico e ‘follow up’.

Contudo, conforme a mesma fonte, este aplicativo está em desenvolvimento e os testes devem ser concluídos ainda esta semana, tendo em conta que foi “feito à medida” e integrado à Janela Única Portuária.

“É um sistema que tem a mesma filosofia da aplicação Nha Bex, mas é desenvolvido pela Casa do Cidadão”, explicou Eduardo Lima, adiantando que o aplicativo estará pronto no final deste mês, mas a sua efectivação acontece a partir de Janeiro de 2021, “mês de menor azáfama”.

Também a partir de Janeiro, ajuntou, no serviço de pequenas encomendas deverá ser instalado o sistema de scanner, antes programado para o mês de Março último, mas que só não aconteceu, asseverou, devido à pandemia, que impediu um técnico de viajar de Portugal para efectuar a configuração e ministrar a formação aos oficiais de alfândega sobre o seu funcionamento.

Segundo o delegado do Porto Grande, a chegada do técnico está prevista para ainda esta semana.

Também, confirmou Eduardo Lima, a direcção, para colmatar essas fragilidades, adoptou algumas medidas complementares nos últimos tempos, nomeadamente de solicitar o número de telefone dos clientes para enviar informações sobre as senhas previstas a serem atendidas todos os dias, a mesma informação que também é publicada na página oficial do Facebook da Enapor.

“Acho que essa medida teve um enorme impacto, porque não temos actualmente filas no CPE”, sublinhou o administrador, adiantando terem colocado mais pessoal no atendimento, na desconsolidação dos contentores e etiquetagem para registo e localização das cargas nos armazéns.

Reforço este que, assegurou, tem permitido “muito mais agilidade” na entrega das cargas e com resultados.

Por exemplo, especificou, nos primeiros 15 dias de Dezembro o CPE entregou 3.907 volumes e atendeu 1.755 pessoas, em cerca de 190 atendimentos diários.

Quanto aos alegados roubos, Eduardo Lima considerou tratarem-se de “denúncias caluniosas”, uma vez que, desde início de 2020 até agora, só receberam nos serviços uma denúncia, que “não foi efectivamente comprovada”, porque a carga foi disponibilizada na zona de verificação aduaneira “intacta” e na presença do dono e dos fiscais aduaneiros.

E neste momento, reiterou, a empresa está a concluir a instalação de um sistema de videovigilância, “não só para servir como meio de dissuasão”, como também para o Porto Grande estar em condições de “apresentar provas perante denúncias caluniosas”.

Eduardo Lima aproveitou para alertar as pessoas para a impossibilidade de todos receberem os seus volumes para o Natal e até para o final do ano, tendo em conta que os navios, vindos da Europa e dos Estados Unidos, têm escalado o porto em datas muito próximas, resultando num número “bem grande” de volumes a serem entregues em poucos dias.

LN/JMV

Inforpress/Fim

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