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Escassez da água pode afectar 3,5 mil milhões de pessoas em 2025 se nada for feito – director do FIDA


  21 Mars      7        Economy (5562),

   

Bissau, 21 mar 19 (ANG) – O director do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) apelou terça-feira para uma intervenção contra a escassez de água, referindo que, « se nada for feito », em 2025 haverá 3,5 mil milhões de pessoas afectadas.
« A maior parte dos países africanos está exposta à escassez da água », disse Lisandro Martin, um dos oradores da cerimónia de abertura do primeiro Fórum Internacional sobre a Escassez de Água na Agricultura, que começou hoje na Cidade da Praia e termina na sexta-feira, Dia Mundial da Água.
« África tem 37% dos terrenos áridos do mundo », disse o director para a África Ocidental e Central do FIDA, assinalando a luta travada em Cabo Verde contra a seca, como a que atualmente afecta o território.
Para o director daquela agência das Nações Unidas, não há tempo a perder nesta matéria, bem ilustrada em alguns números que apresentou: 1,2 mil milhões de pessoas são afectadas pela falta de água, 70% da água potável é utilizada na agricultura.
« Há uma necessidade de investir em recursos hídricos, porque os alimentos precisam de água », disse.
O encontro que hoje arrancou vai culminar com a Declaração da Praia, um compromisso no qual o mundo inteiro irá ser envolvido, segundo Torkil Clausen, presidente do Quadro Global para a Água na Agricultura (WASAG), um dos promotores deste fórum.
« Vamos assumir este compromisso e depois levá-lo ao mundo », disse, sublinhando o papel de Cabo Verde ao propor e acolher o encontro que hoje começou nas instalações das Assembleia Nacional, na capital do país.
Numa mensagem de vídeo, na impossibilidade de estar presente na Cidade da Praia, a subsecretária de Estado do Governo italiano, Alessandra Pesce, defendeu uma inversão do caminho e apontou como exemplo a greve de estudantes que na passada sexta-feira mobilizou milhares de jovens em todo o mundo, num apelo pela defesa do clima. »Isto mostra que as coisas estão a mudar », disse.
A representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em Cabo Verde, Ana Laura Touza, classificou como um desafio colectivo « o uso da água na agricultura de uma forma racional ».
Por seu lado, o diretor da Divisão de Terras e Água da FAO, Eduardo Mansur, considerou que « os desafios são enormes e não podem ser resolvidos apenas por uma organização ».
« Tem de ser um desafio de todos », apelou, afirmando que, « em 2020, a procura da água irá aumentar até 30% ».
Para Eduardo Mansur, « é preciso unir ideias », reconhecendo que algumas ideias apresentadas por Cabo Verde no seu combate à seca e à escassez de água são « entusiasmantes ».
O especialista destacou a importância das conclusões científicas do evento que hoje começou a serem publicadas num jornal científico.
O primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, partilhou com a audiência a luta do arquipélago contra a seca e a escassez de água.
« Cabo Verde pertence ao conjunto de países do mundo profundamente afectado pela escassez de água », disse, acrescentando que a insularidade agrava ainda mais esta situação, devido aos custos dos recursos.
Apesar de esta ser uma luta que existe desde o nascimento de Cabo Verde, as mudanças climáticas vieram agravar os efeitos que são mais fortes em países insulares em desenvolvimento como Cabo Verde, declarou o chefe do Governo.
Ulisses Correia e Silva recordou que Cabo Verde sofreu uma seca em 2014, um furação em 2015, cheias torrenciais em 2016 e em 2017 uma seca severa, que se mantém. Além disso, o vulcão na ilha do Fogo entrou em erupção em 2014.
« Somos recetores de crises e não contribuímos para essas crises », afirmou.
O primeiro-ministro e os outros participantes do evento visitaram depois uma feira com soluções encontradas para o fornecimento de água ao setor agrícola e alguns produtos.
Água e migração, água e nutrição, agricultura salina, uso sustentável da água na agricultura, preparação para secas e mecanismos financeiros para manuseio sustentável dos recursos hídricos são os temas que vão ser discutidos durante os quatro dias do fórum.
Estão previstas sessões plenárias e técnicas e exposições no local do evento, a Assembleia Nacional, bem como visitas a locais agrícolas na ilha de Santiago, com o intuito, segundo José Teixeira, de envolver os agricultores.
O fórum é organizado no contexto do Quadro Global para a Água na Agricultura (WASAG), com o patrocínio do Governo de Cabo Verde, em colaboração com a FAO, o Ministério das Políticas Agrícolas, Alimentares e Florestais da Itália e o Serviço Federal de Agricultura da Suíça (FOAG).
O WASAG foi criado em 2017 pela FAO e reúne mais de 60 parceiros, incluindo governos e organizações intergovernamentais, agências da ONU, instituições académicas e de pesquisa, e organizações da sociedade civil e do setor privado de todo o mundo.
ANG/Inforpress/Lusa

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