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Maio: Agricultores de Monte Vermelho “indignados” com decisão de aumentar número de beneficiários da água do furo


  11 Mai      4        Agriculture (2162),

   

Porto Inglês, 11 Mai (Inforpress) – Um total de dez agricultores do perímetro agrícola de Ribeira d’Água em Monte Vermelho dizem estar “indignados” com a delegada do Ministério da Agricultura e Ambiente que “pretende” aumentar o número de beneficiários da água do furo.
Os agricultores daquele perímetro, na ilha do Maio, procuraram segunda-feira a Inforpress para expressarem a sua “indignação” perante aquilo que consideram “imposição do poder”, uma vez que alegam estarem a ser “ignorados” pela delegada do MAA na ilha, Teresa Silva, que, acusam, ao invés de diálogo tem pautado pelo “autoritarismo”.
Conforme explicou Jorge Garcia, um dos agricultores, neste momento são dez os que estão a beneficiar da água do furo, mas, mesmo assim, a delegada do MAA, quer introduzir mais três pessoas, nesta altura do ano, em que, sustentam, o furo já não possui grande quantidade de água, visto que não choveu o suficiente na ilha para recarregar os lençóis freáticos.
Apontou como exemplo alguns dos seus colegas que já abandonaram o campo por falta de água nos seus poços, por isso diz não entender esta decisão da delegada do MAA em aumentar mais pessoas neste momento. Aliás, frisou que da informação que dispõe, destas três pessoas, duas sequer praticam agricultura e um é funcionário de uma ONG na ilha.
“Nós não somos contra que outras pessoas também beneficiem da água do furo para rega, mas estanhamos esta decisão só agora, em que a água certamente está a diminuir no furo. Além disso passamos de duas horas, há dois anos, para uma hora e meia de água e nem sequer conseguimos produzir minimamente para termos um rendimento suficiente”, justificou.
Jorge Garcia disse ainda que se a delegada do MAA vier a aumentar mais pessoas sentir-se-ão obrigados a abandonar as suas parcelas, uma vez que vão passar a ter menos de uma hora de água para rega, quantidade que considerou “irrisória” para continuarem a praticar agricultura.
Isto porque, ajuntou, neste momento só conseguem irrigar uma hora, uma vez que são obrigados a esperar meia hora para que o reservatório consiga a pressão suficiente para bombear até as suas parcelas.
Esta opinião é corroborada também por Tómas dos Santos, segundo o qual caso esta decisão seja levada avante terão que abandonar as suas hortas. “Vamos deixar as nossas hortas e iremos sentar em casa”, precisou, sustentando que a forma como estão a irrigar, neste momento, “não está sendo fácil, quanto mais se se aumentar mais pessoas”.
Defendeu ainda que a Delegação do MAA deveria aproveitar o equipamento de perfuração de furo que se encontra na ilha e fazer mais furos para ter mais água disponível, “ao invés de estar a pensar em aumentar mais pessoas neste furo que está cada dia com menos água”.
A mesma fonte esclareceu ainda que, com esta manifestação, os supostos beneficiários e as suas famílias poderão entender de forma errada as suas intenções, mas explicou que caso seja aumentado o número de pessoas a beneficiar da água daquele furo todos sairão prejudicados.
“É bom também que saibam que quando temos dias com pouco sol, praticamente não temos água, porque o painel não trabalha, como é o caso de hoje, e quem fica prejudicado somos nós e ainda mais se se fazer uma extracção intensa da água o furo acaba por entrar em stress e não vamos ter mais água”, explicou.
Tomás dos Santos aproveitou para apelar à Delegação do MAA para adiar esta medida para quando vier a chuva, porque caso contrário, vão recorrer a outras instâncias.
Contactada pela Inforpress, a delegada do MAA na ilha remeteu a sua reacção para um “momento mais oportuno”.

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