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Turismo de Cruzeiro: Enapor previu crescimento de 14% de escalas – covid-19 vai obrigar a “redução significativa”


  25 Septembre      12        Société (24184),

   

Mindelo, 25 Set (Inforpress) – A Enapor estimou para 2020 um crescimento de 14 por cento (%) no número de escalas de navios de cruzeiro, contudo devido ao fecho, em Março, motivado pela covid-19, tudo aponta para uma “redução significativa” de escalas.
Em declarações à Inforpress, no Mindelo, o presidente do conselho de administração da empresa pública que gere os portos do País, Alcides Lopes, lembrou, no entanto, que o peso do negócio de cruzeiros na actividade da empresa “não é expressivo”, pois os navios de cruzeiro representaram, em 2019, cerca de 2% do total de escalas.
“Mas sabemos que é um negócio bastante importante para as comunidades portuárias e cidades”, concretizou o responsável.
Aliás, o relatório e contas da Enapor referente a 2019, disponível no sítio da empresa na Internet, em www.enapor.cv, revela que o negócio de cruzeiros em Cabo Verde “consolidou-se em 2019”, ao registar 147 escalas nos portos do arquipélago e 49.860 passageiros, neste particular um aumento de 14,5 por cento (%) em relação a 2018.
O Porto Grande contribuiu com 52% da quota de mercado, para um total de 55 navios, enquanto o Porto da Praia recebeu 31 navios, o que representa 31% da quota de mercado.
O facto, hoje, é que a actividade de cruzeiros a nível mundial encontra-se praticamente suspensa, com a frota mundial na sua maioria parada e a aguardar a melhoria da situação epidemiológica.
Confrontado com a possibilidade de retoma, Alcides Lopes considerou que sendo uma actividade, e principalmente os barcos, que comporta “riscos elevados” de transmissão da doença covid-19, a retoma “não se afigura rápida” em relação a outras actividades turísticas mais clássicas.
“As companhias de cruzeiros têm estado a perspectivar os itinerários e a venda dos pacotes de acordo com um conjunto de informações que recolhem, mas têm vindo a fazer anúncios e adiamentos”, declarou a mesma fonte.
“Alguns poucos países estão já abertos mediante protocolos em matéria de saúde bastante rigorosos e a maioria fechados”, sintetizou o presidente do conselho de administração da Enapor.
O que não pára é o projecto para a construção do terminal de cruzeiros do Mindelo, que, segundo a mesma fonte, entrou na 2ª fase do concurso para as obras, tendo já sido seleccionadas as cinco empresas que vão agora entregar as propostas técnica e financeira para a obra, prevista para iniciar-se em 2021.
Por isso, a Enapor, segundo Alcides Lopes, objectiva reforçar a divulgação do destino Cabo Verde, quer através da componente do projecto do terminal de cruzeiros, dedicado a divulgação e tratamento do destino, que se iniciará no próximo ano, quer através das acções habituais junto dos parceiros, em fóruns diversos e nas feiras, entre outras.
O terminal de cruzeiros projectado para o Porto Grande de São Vicente terá cais de cruzeiro de cerca de 400 metros de comprimento, com dois berços de atracação, sendo um de 11 metros e o outro de 9,5 metros de profundidade.
Será servido por uma gare marítima para passageiros de cerca de 900 metros quadrados, uma vila turística junto à marginal, que vai ter lojas, free-shop, restaurantes, bares, pequenos museus e souvenir, e parque de estacionamento com 6.150 metros quadrados para táxis e autocarros.
De acordo com o Financial Times (FT), a indústria dos cruzeiros movimenta cerca de 127 mil milhões de euros, com algumas dezenas de operadores e perto de 350 navios, que transportaram 30 milhões de passageiros em 2019.
Uma das maiores empresas, a MSC, indica o FT, está a investir cerca de meio milhão de euros em protocolos de saúde, com três níveis de testagem para os passageiros.
Com a paragem dos navios (os vários que estão estacionados junto à baía de Weymouth, em Inglaterra, já são uma imponente atracção turística), e dos negócios, há também um aumento do número de navios enviados para serem desmanchados, e os grandes grupos estão a ir ao mercado para sobreviver.
De acordo com o FT, os três maiores, a Carnival, a Royal Caribbean e a Norwegian já tiveram de se financiar em perto de 24 mil milhões de dólares.

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